O que é Disforia de Gênero?
A disforia de gênero ou incongruência de gênero acontece quando há um desconforto, sofrimento e insatisfação persistente entre o sexo biológico de uma pessoa (atribuído ao nascimento) e o papel social a ela atribuído. Em outras palavras, seria uma pessoa que nasce com o sexo masculino, mas se identifica como feminino e vice-versa.
Geralmente os indivíduos com disforia de gênero sofrem uma sensação de desconforto com o próprio corpo, principalmente com os órgãos sexuais, mamas e pelos faciais. Seria como estar “aprisionado” em um corpo que não é considerado como seu, causando angústia, estresse, ansiedade e até mesmo depressão.
Muitos adultos com essa condição, acabam não procurando auxílio médico especializado por vergonha, sendo sua prevalência subestimada no Brasil.
O tratamento da disforia de gênero é complexa e deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar com vasta experiência na área.
Alguns tratamentos como psicoterapia, procedimentos estéticos, terapia hormonal e em alguns casos o tratamento cirúrgico, podem minimizar os sentimentos de desconforto, sofrimento e depressão.
Portanto, o diagnóstico e o acesso a saúde da disforia de gênero, melhora de forma contundente a qualidade de vida dos portadores dessa condição.
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Obesidade e Depressão
A obesidade e a depressão são condições que aparecem associadas em uma proporção significativa da nossa população. Os mecanismos que ligam as duas patologias incluem o sistema imunológico , o sistema endócrino, mecanismos psicológicos e sociais.
A obesidade pode induzir importantes alterações físicas, psicológicas e comportamentais em pacientes vulneráveis. Ela também causa alterações no nosso sistema hormonal e produção de algumas substâncias inflamatórias, chamadas de citocinas, que são fatores de risco conhecidos de depressão Assim a depressão pode ser vista como uma consequência da obesidadev em muitos pacientes.
Alguns estudos já apontam que uma dieta rica em alimentos processados, com alto teor de açúcar e pobre em frutas e vegetais está associada a piora do estado de humor., havendo um aumento nos escores de depressão. Além disso, pacientes deprimidos e obesos apresentam desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e consequentemente, elevações crônicas dos níveis séricos de cortisol. O cortisol elevado tem um papel causal na depressão, na elevação do peso e na adiposidade abdominal.
O acúmulo de gordura principalmente abdominal, pode causar aumento de substâncias inflamatórias que diminuem os níveis de triptofano, um aminoácido envolvido na regulação do humor. Baixos níveis de triptofano podem causar diminuição dos níveis de serotonina e, portanto, afetar o humor, levando a depressão.
Em muitos artigos da literatura, sobre os efeitos das modificações do estilo de vida nos sintomas depressivos em indivíduos com sobrepeso ou obesidade sugerem que a perda de peso poderia não apenas ajudar em relação à obesidade, mas também reduzir os sintomas depressivos.
Se você se enquadra nos padrões, aqui descritos, procure um endocrinologista que poderá orientar o melhor tratamento a ser seguido no seu caso.
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Cirurgia Bariátrica e Alcoolismo
A cirurgia bariátrica para pacientes com obesidade grave, traz uma série de benefícios a saúde como a remissão ou melhora do diabetes tipo 2, da hipertensão arterial, do excesso de colesterol no sangue, além de promover perda de peso significante e sustentável ao longo do tempo.
Em uma reunião realizada recentemente pela Sociedade Americana de Diabetes, foi apontado um problema inusitado com a cirurgia bariátrica, o aumento da adição pelo álcool.
Numa pesquisa realizada em 2000 pacientes que realizaram a técnica cirúrgica do Bypass Gástrico, 11% apresentavam problemas com o consumo excessivo de alcóol no segundo ano pós-cirúrgico. Os pesquisadores não conseguiram identificar o porquê dessa técnica levar a problemas relacionados com o álcool, porém há algumas hipóteses e pistas que podem ser levantadas.
Na parede do nosso estômago há uma enzima chamada álcool desidrogenase que degrada o álcool. Na técnica cirúrgica do Bypass Gástrico, uma parte considerável do estômago é excluída do contato com os alimentos e bebidas, criando-se uma pequena bolsa gástrica. Quando a pessoa operada com essa técnica ingere bebida alcóolica há pouca enzima que metaboliza o álcool disponível, sendo que uma maior quantidade de álcool é absorvida pela corrente sanguínea.
Outra hipótese a ser levantada, é a troca de um vício pelo outro; nesse caso o paciente estaria trocando o vício da comida pelo do álcool após a cirurgia.
Através dessas informações fica claro que o pacientes submetido a cirurgia bariátrica, principalmente os que foram submetidos ao Bypass Gástrico, devem ser encorajados pela equipe multidisciplinar que o acompanha, a evitar completamente o consumo alcóolico durantes o primeiro ano de cirurgia.
Se você é um candidato a cirurgia bariátrica e está pensando em realizar o procedimento, converse como o seu médico sobre os riscos e benefícios da cirurgia, esclarecendo os pontos positivos e negativos de cada técnica.
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Cirurgia bariátrica causa osteoporose?
A cirurgia bariátrica é um tratamento eficaz e cada vez mais comum para a obesidade grave e suas diversas doenças associadas. Porém, sabemos que quando o acompanhamento do pós-operatório não é realizado ou a aderência do paciente ao uso de medicações não é adequada, pode haver prejuízos acentuados na massa mineral óssea, causando aumento da incidência de osteopenia e osteoporose nessa população.
Devemos saber que a obesidade em si, pode ser um fator crucial para prejuízo do metabolismo ósseo e mineral antes da realização da cirurgia bariátrica. Os pacientes obesos apresentam uma alimentação inadequada, com baixo consumo de alimentos ricos em cálcio e vitamina D, além de terem uma exposição solar limitada pela desconforto na exposição corporal.
O excesso de tecido gorduroso, também pode causar, a produção de substâncias inflamatórias que dificultam a absorção de cálcio e vitamina D da dieta.
A perda óssea que ocorre após a cirurgia bariátrica é provavelmente multifatorial. Os mecanismos envolvidos apresentam uma correlação com o excesso da perda de peso e da instalação da sarcopenia (perda acentuada da massa muscular), aumento da remodelação óssea (com predomínio da reabsorção óssea), diminuição acentuada da absorção de cálcio/vitamina D pela técnica cirúrgica realizada e alterações de vários hormônios produzidos pelo intestino e tecido adiposo.
O acompanhamento periódico com o endocrinologista deve ser voltado para a correção de deficiências nutricionais no pré e pós-operatório dos pacientes que realizaram a cirurgia bariátrica, realizando a suplementação adequada de cálcio e vitamina D, estimulando o paciente a prática de exercícios físicos para evitar a sarcopenia e o acompanhamento periódico da densidade mineral óssea, através da densitometria.
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Climatério Pode Causar Diminuição da Libido?
Climatério é a fase de transição natural da mulher, na qual ela passa da fase reprodutiva para a fase menopausal (não reprodutiva), caracterizada pela irregularidade no ciclo menstrual e oscilações nos níveis de estrogênio, causando uma série de sintomas desagradáveis, quando não orientadas e manejadas por um especialista.
A alteração da libido é uma das queixas mais comuns e frequentes nessa fase, que muitas vezes é mal compreendida podendo causar sérias consequências na saúde sexual e emocional do casal.
Outros sintomas relacionadas com o climatério são a falta de lubrificação vaginal, dor durante a relação sexual, infecções vaginais frequentes, incontinência urinária, fadiga, alterações no humor, baixa autoestima e depressão.
O tratamento adequado pode restaurar o desejo sexual e minimizar os efeitos desagradáveis dessa fase de transição.
A reposição estrogênica em baixas doses via transdérmica ou oral, seria uma opção importante. O uso de estrogênio via vaginal, é uma ótima opções para sintomas de dor a relação sexual, falta de lubricação vaginal e incontinência urinária. O laser vaginal também tem se mostrado uma alternação promissora para saúde do assoalho pélvico.
Para os casos de depressão e baixa autoestima, podemos associar o tratamento cognitivo comportamental do casal e em alguns casos o uso de antidepressivos.
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Hipotireoidismo não tratado pode causar alteração no meu colesterol?
O hipotireoidismo é uma doença muito frequente, atingindo cerca de 5% da população geral. A doença se caracteriza por uma produção insuficiente de hormônios tireoideanos, sendo comuns o aparecimento de alguns sintomas como: cansaço, sonolência, sensibilidade ao frio, pele seca e oscilações do peso corporal.
O que muitos pacientes não sabem é que o hipotireoidismo não tratado pode afetar de forma negativa o metabolismo dos lipídeos, aumentando a mortalidade. Os hormônios produzidos pela tireóide regulam o metabolismo desses lipídeos, sendo que sua deficiência causa um acúmulo anormal de lipídios na circulação e no interior dos vasos sanguíneos. O depósito anormal dessa gordura nas artérias promove a aterosclerose, que culmina por aumento da mortalidade por doenças do coração, quando não tratadas. O tratamento do hipotireoidismo com medicação, reduz os níveis de colesterol “ruim“, chamado LDL colesterol e diminui o risco de aterosclerose.
Portando é fundamental o monitoramento da função tireoideana e dos níveis de colesterol em pacientes com hipotireoidismo.
Se você achou esse conteúdo pertinente com o seu problema, procure o nosso serviço.
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Padrões Alimentares
Qual o objetivo de comermos?
Comemos para sobreviver, para atender as necessidades fisiológicas do nosso corpo, para suprir as demandas estressantes do dia-dia e em muitas situações comemos por recompensa.
Padrão alimentar, seria o tipo de alimento consumido por uma certa população ou grupo de pessoas, sendo muito influenciado por uma série de fatores como: sociais, econômicos, culturais, e emocionais, dentre outros.
Para se avaliar o padrão alimentar é necessário definir e quantificar todos alimentos e bebidas ingeridos nas últimas 24 horas que antecedem a consulta médica, utilizando a técnica de anotação de todos os itens consumidos.
Para o tratamento da obesidade, é de fundamental importância entender o que está acontecendo na vida do seu paciente, para que ele ganhe peso. Uma estratégia importante é conhecer o seu padrão de alimentação.
Vou listar aqui os principais tipos de padrões alimentares:
- Cérebro faminto: O paciente come uma quantidade grande de calorias nas refeições, pois não consegue ficar satisfeito. Geralmente identificamos esse tipo de padrão alimentar em 40% dos nossos pacientes.
- Intestino faminto: O paciente se alimenta e depois de um curto intervalo de tempo, já está com fome novamente. Identificamos esse padrão alimentar em 18% dos pacientes.
- Fome emocional: O paciente acaba comento para lidar com as emoções tanto negativas, quanto positivas. Seria como um mecanismo de recompensa, não se relacionando com a fome física. Vimos esse tipo de padrão alimentar em 30% dos pacientes.
- Gasto energético reduzido: Paciente tem uma “queima lenta de energia”, em outras palavras, uma taxa metabólica basal baixa. Esse tipo de padrão é visto em 12% dos pacientes.
Temos que ressaltar que o mesmo paciente pode apresentar mais de um tipo de padrão alimentar.
É de fundamental importância o médico endocrinologista saber identificar esses vários tipos de padrões alimentares, pois em cada um deles podemos orientar um tipo específico de dieta e de medicação. Dessa forma havendo maior sucesso na perda de peso.
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O que é Finerenona? Quando utilizar?
A finerenona é um medicamento recém lançado no Brasil, sendo encontrado com o nome de Ferialta nas drogarias. São comprimidos de 10 e 20 mg/dia, prescritos de acordo do perfil do paciente.
Ele é indicado para pacientes com diabetes Mellitus com doença renal.
Sabemos que a doença renal é uma das principais complicações crônicas do diabetes mellitus, principalmente os que já apresentam mais de 5 anos da doença. Em muitos casos há uma eliminação aumentada de proteínas na urina, agravando mais a função dos rins. Sabemos que o diabetes é o principal causador de doença renal crônica, levando o paciente a ingressar em hemodiálise.
Alguns estudos recentes com essa nova medicação demonstraram benefícios renais e cardiovasculares com a medicação, quando associado ao arsenal terapêutico correto.
Se você tem diabetes mellitus e doença renal, consulte o seu médico endocrinologista para ver se há indicação dessa medicação revolucinária.
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Como age a medicação Tirzepatida (Mounjaro)?
A Tirzepatida, lançada nos Estados Unidos com o nome comercial de Mounjaro, é um medicamento injetável semanal, lançado para tratamento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2).
A medicação age “imitando” a nível do seu receptor a ação de dois hormônios produzidos pelo nosso organismo, o peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e o polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP). Essa medicação controla de modo efetivo o excesso de açúcar no sangue e também causa a redução de peso corporal.
No Estudo Surpass-2, foi comparado o efeito da Tirzepatida nas doses de 5,10 e 15 mg com a Semaglutida 1 mg/semanais em pacientes com DM2 com seguimento de 40 semanas. A Tirzepatida mostrou ser superior a semaglutida no controle do diabetes e na redução de peso. A Tirzepatida reduziu os índices de hemoglobina glicada (HbA1c) em até 2,30%, sendo significativamente maiores do que a redução de 1,86% com a semaglutida. A tirzepatida também resultou em reduções de peso significativamente maiores de 11,2 kg na dose de 15 mg, se comparada a 5,7 kg no grupo semaglutida.
No estudo Surmount-1, a medicação Tirzepatida, comparada ao placebo, foi avaliada em 2539 pacientes com obesidade com pelo menos uma complicação relacionada com o excesso de peso, por 72 semanas. Veja que nesse estudo, não havia pessoas com diabetes. No final do estudo, vemos uma impactante porcentagem de perda de peso no grupo Tirzepatida se comparada ao placebo:
- 15% perda de peso com 5 mg/semanais, 19,5% de perda de peso com 10 mg/semanais e 20,0% perda de peso com a tirzepatida 15 mg/semanais
- 3,1% no grupo placebo.
Nesse mesmo estudo a Tirzepatida foi capaz de reverter o pré-diabetes em cerca de 95% dos casos.
Com os estudos apresentados acima, vemos que a tirzepatida é uma medicação promissora para controle do diabetes e da perda de peso. Ela já está aprovada nos Estados Unidos, mas ainda não temos previsão de lançamento no Brasil.
Aguardamos ansiosamente!
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O que é e como age o Wegovy? O que foi o Estudo SELECT?
Wegovy é um medicamento já autorizado pela Anvisa para o tratamento da obesidade no Brasil, mas ainda não disponível para comercialização nas drogarias.
Trata-se da medicação semaglutida, já autorizada para o tratamento do diabetes tipo 2 (DM2). Para o tratamento da obesidade, sua titulação será mais alta do que para o tratamento do DM2, chegando até 2,4 mg/semana por via subcutânea.p>
O que é a semaglutida?
É um análogo sintético, ou seja, ele mimetiza a ação de hormônio produzido pelo nosso próprio organismo chamado peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), causando saciedade no nosso sistema nervoso central, sendo capaz também de reduzir a nossa fome hedônica, que seria o impulso de se alimentar, sem um déficit calórico real.
No mês de agosto de 2023, o Wegovy ganhou as manchetes dos noticiários brasileiros, pois em no estudo SELECT, realizado em vários países, em pacientes com sobrepeso e obesidade com doenças cardiovasculares estabelecidas, foi demonstrado que o uso da medicação foi capaz de reduzir em 20% os risco de infarto, acidente vascular cerebral e morte cardiovascular.
Através do Estudo Select podemos concluir que o Wegovy além de ser muito efetivo na perda de peso, agora demonstrou ser uma arma terapêutica para o surgimento de doenças cardiovasculares.
A previsão para lançamento da medicação no Brasil será para 2024, com preço estimado de R$2.500,00.
Vamos aguardar ansiosamente para seu novo lançamento!
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